sábado, 18 de maio de 2019

A umbanda no Rio Grande do Sul

Como em todo o Brasil, também no Rio Grande do Sul a Umbanda surgiu defendendo padrões e comportamentos aceitos socialmente. No entanto, não escapou a repressão policial.

Segundo M. Caldas – um dos maiores intelectuais da Umbanda e do espiritismo no Rio Grande do Sul, hoje falecido, nos primeiros tempos, o Centro de Charão não possuía um endereço fixo, funcionava de forma itinerante (o endereço mudava toda semana). Além dessa instabilidade, também o próprio espiritismo e o Batuque se opuseram a Umbanda nascente. O primeiro desqualificava as suas práticas mediúnicas, o segundo não aceitava que os Orixás fossem invocados sem suas normas rituais, o que denuncia que estava em jogo uma disputa de bens simbólicos.

 De Rio grande, a Umbanda foi levada para Porto Alegre pelo capitão da Marinha, Laudelino de Souza Gomes, que fundou nessa capital a Congregação Espírita dos Franciscanos de Umbanda, em 1932, e que existe nos dias atuais. Nesse caso, é dupla a razão do termo franciscano. Em primeiro lugar pela sincretização entre São Francisco de Assis e Lokô (termo Yourubá), ou Irokô (termo Jêje), ou Orixá Tempo (Angola), isto é: a árvore gameleira branca; em segundo lugar pelo uso que seus membros faziam uma espécie de bata branca com sandálias e cordões em torno ao ventre, semelhante à vestimenta de São Francisco.

Pernambuco Nogueira esclarece que tanto Charão quanto Souza Gomes não eram naturais do Rio Grande do Sul, e ambos tiveram na África por algum tempo. No entanto, dedicaram-se quase que exclusivamente a implantação e divulgação da Umbanda (Nogueira 2001). Outros importantes personagens divulgadores da Umbanda nesse estado foram Norberto de Oliveira, que introduziu no município de Viamão, Jesina Furtado fundadora da casa Mestre Quatro Luas; e Astrogildo de Oliveira, fundador do Templo Rainha Yemanjá Fraternidade Ubirajara.

Segundo Pernambuco Nogueira, essa ultima casa possuía [...] a peculiaridade de ter construído, nos fundos, uma miniatura de todos os Reinos em que se efetuavam os rituais, inclusive uma calunga pequena (Cemitério) para ali realizar trabalhos sem sair do local do Templo, pois se preocupava com deturpações já existentes.
Uma particularidade desses templos mencionados, e que hoje já não vigora, reside no fato de que a abertura dos trabalhos era efetuada por uma linha não mais encontrada hoje: a linha da Yaras, que se apresentavam se arrastando pelo chão, como o fariam as sereias em terra seca, e promoviam a limpeza do templo utilizando-se de água.

No mais, na Umbanda do Rio Grande do Sul são cultuados “caboclos”, “preto-velhos” e “crianças”, aos quais não são realizados sacrifícios de animais. Outrora era também cultuada a linha “linha ou povo de Oriente”, hoje quase em extinção. Segundo a representação dos Umbandistas, tratava-se de entidades bondosas, bastante evoluídas e que transmitam vibrações puras. Seus médiuns, incorporados, adotavam a postura corporal e os gestos dos povos do Oriente: chineses, indianos, árabes e ciganos. Nos trabalhos da casa de Pernambuco Nogueira manifestavam-se duas entidades indianas: Brahmayana e Nargajuna.
Hoje o “povo cigano” foi transformando em Linha de Exu. Quanto aos guias Orientais, se manifestam em poucas casas que trabalham com o que denominam de Junta Médica.

A Linha Cruzada

                Trata-se de uma expressão religiosa relativamente nova, iniciada, tudo indica, na década de 1960. Constitui, porem, a que mais tem crescido nesse Estado, sendo cultuada hoje em cerca de 80% dos terreiros. Segundo Norton Correa, “essa modalidade ritualística chama-se cruzada [...] porque, enquanto o Batuque cultua apenas Orixás e Umbanda, caboclos e preto-velhos; a Linha Cruzada reúne-os no mesmo templo, cultuando, além deles, também os exus e suas mulheres míticas, as pomba-giras – provavelmente originários da Macumba do Rio de Janeiro e São Paulo” (Correa, 1998:48).

Ainda segundo Correa, as principais razões para o crescimento da Linha Cruzada seriam os seguintes: os custos dos rituais são mais baratos que o do Batuque; e seus membros podem reunir e somar a força mística do batuque com a da Umbanda.

A proliferação de terreiros Cruzados tem se constituído num forte motivo de polêmica e de acusação mútua entre os membros das religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul. Trata-se em verdade, de um conflito, em parte inter geracional, em que os “mais velhos” na religião tendem a considerar essa inovação como uma “deturpação” da religião dos orixás por parte dos mais jovens, ao mesmo tempo em que expressa em parte também um conflito entre os “conservadores” e os “modernos” as mudanças sendo compreendidas à tradição como uma violação dos fundamentos da religião.

De uma maneira geral, são extremamente precários os números acerca dos terreiros existentes no Rio Grande do Sul, bem como a incidência de rituais dentro das modalidades religiosas acima referidas. Seja como for, e para dar ao menos uma ideia de grandeza, deve existir hoje cerca de 30 mil terreiros em atuação nesse estado, onde, em cerca de 80% deles, são celebrados rituais de Linha Cruzada, em 10% somente rituais de umbanda (caboclos e preto-velhos) e em 10%, somente rituais de Batuque (nação).

Fonte: Extraído da revista Umbanda Centenária.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Gravidez segundo o espiritismo

A Gravidez é planejada na espiritualidade?

Muitas mulheres dizem que nasceram para serem mães.  A gestação é um período de transformações tanto físicas como emocionais muito importantes para as mulheres. Toda gravidez é planejada na espiritualidade?

A doutrina espírita nos ensina que a partir do momento em que a alma se une ao corpo começa a concepção. Entretanto, ela não se completa senão no momento do nascimento.

“Desde o momento da concepção, o espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus” (questão. 344 de O Livro dos Espíritos).

O espiritismo nos ensina também que para cada vez que temos que reencarnar a viver no planeta Terra é realizado um planejamento reencarnatório. Ou seja, o espírito se prepara e estuda suas possibilidades, além de serem decididas, questões relacionadas à: formação familiar, a estrutura física, as faculdades que devem ser exercitadas e adquiridas nesta nossa reencarnação.

Com isso, pode-se perguntar:  E a gravidez? Ela faz parte do processo reencarnatório?
De acordo com André Marouço, no programa Boletim, da TV Mundo Maior. Sim!!
“Nós estamos falando de algo importante: a reestreia no palco da vida de um espírito milenar. E todas as pessoas estão ligadas neste espírito reencarnante”.
André completou falando sobre André Luiz:
“Trata-se de uma engenheira que nós sequer temos condições de entender. André Luiz, fala do Ministério da Reencarnação, que tem como objetivo planejar essa reencarnação”.
E em relação às escolhas? Quem decide? O espírito sabe o que lhe vai acontecer?

Allan Kardec, na questão 258, indaga os espíritos superiores:
“Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?
Resp: Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio”.  
Segundo André Marouço, Allan Kardec e os espíritos superiores estão falando especificamente de espíritos um pouco mais adiantados no estágio de provas e expiações.
“Os espíritos primitivos não têm condições de discernir entre aquilo o que é melhor para eles no projeto reencarnatório. Isto é a chamada reencarnação compulsória”. Ou seja, ele tem um tutor, alguém, um espírito mais experiente que sabe o gênero de experiências que essa criatura precisa passar nas reencarnações”.
E finalizou
“Aqui, na Terra, em provas e expiações, boa parte de nós, planejamos ao lado desses ‘engenheiros da reencarnação’ aquilo o que é melhor”, André Marouço

Vale lembrar que uma gravidez somente acontece onde há condição vibratória adequada entre os pais e os espíritos reencarnante. Seja ela, por uma situação que precisa ser revolvida, quitada, ou pela simples escolha de ambas as partes.

Saiba mais sobre Gravidez segundo o espiritismo no programa Boletim:

Fonte: Rádio Boa Nova

quinta-feira, 9 de maio de 2019

O que é psicofonia?

Muitas pessoas possuem dúvidas a respeito da psicofonia. O que é? Quais são os tipos? Durante a psicofonia pode haver a interferência do médium?

Antes de mais nada, vamos relembrar que a psicofonia é uma mediunidade que possibilita a comunicação oral de um desencarnado através da voz de um médium.

Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, determinou a psicofonia como “mediunidade falante”. Ou seja, quando os espíritos se comunicam por meio da palavra, da conversa.

“Os médiuns audientes que só transmitem o que ouvem não são, propriamente, médiuns falantes. Estes últimos, muito frequentemente não ouvem nada. Neles, o  Espírito age sobre os órgãos da palavra como age sobre a mão dos médiuns escreventes. Querendo se comunicar, o Espírito se serve do órgão mais flexível do médium”.

O codificador da doutrina espírita completa:

“O médium falante se exprime, geralmente, sem ter consciência do que diz; com frequência diz coisas completamente fora de suas ideias habituais, de seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência.
(…) Resumindo, a palavra dele é um instrumento de que o Espírito se serve e com a qual uma pessoa estranha pode entrar em comunicação, como se fez no caso de um médium audiente.”

Diante desta afirmação podemos perguntar: Durante uma psicofonia pode haver a interferência do médium ou ele fica inconsciente?

De acordo com André Marouço no programa Boletim, da TV Mundo Maior, sempre há interferência do médium.

“Há interferência da cultura do médium, da crença. Não se trata apenas de um instrumento mecânico, onde não há interferência psíquica”.

O espírito que ainda não tem consciência que desencarnou pode fazer este tipo de comunicação?
Ainda de acordo com André Marouço, isso é o mais comum nas reuniões de orientações aos espíritos. E completou:

“A grande diferença entre alguém que se prepara para o retorno à espiritualidade e alguém que não se prepara. São os estudos, a ciência do que aconteceu, o conhecimento”.

Já no que diz respeito às vantagens e as desvantagens das psicofonias, a doutrina nos ensina que como a psicofonia é uma das forma mais interessantes da mediunidade. Ela permite o diálogo direito e dinâmico com os espíritos. Além de, facilitar o entendimento daqueles que estão ouvido.

Entretanto, as desvantagens estão relacionadas as avaliações. Já que é preciso analisar a origem e o valor da comunicação porque a manifestação pode não ter uma identificação, uma prova. E como o seu efeito é momentâneo e compreendido, a mensagem pode ser deturpada quando reproduzida.

Para finalizar, os tipos de psicofonias são:

Consciente: é aquela em que o médium diz que recebeu mentalmente ou escutou a fala do espírito que quer se comunicar;
Inconsciente ou sonambúlica, diz respeito a aquela em que o médium não sabe o que falou. O que dá a entender que o espírito se comunicou por meio de um aparelho fonador, já que o médium está inconsciente.
Saiba mais sobre o assunto no programa Boletim:

Fonte: Rádio Boa Nova

Benefícios de se frequentar uma sessão de Umbanda

De uma maneira bem simplificada, de forma a colocar ao público leigo, ou simpatizante, mas que não conta com muito conhecimento teológico, nem prático sobre a Umbanda, colocaremos alguns benefícios de se frequentar uma sessão de Umbanda.

Num primeiro momento, aquela pessoa que adentra um terreiro e toma seu lugar em algum banco ou assento no ambiente do terreiro, pode pensar que muito não esta sendo feito por ela, inclusive quando toma seu passe, e as vezes, troca apenas algumas palavras com o guia incorporado no seu médium, mas as coisas não funcionam bem assim. O simples fato de estar presente a uma sessão já nos trás inúmeros benefícios, tanto para nosso espírito, quanto para nosso mental e físico também.

Ao adentrar no portão do terreiro, já temos nossa primeira "descarga" assim podemos classificar, pois ali estão presentes os guardiões do templo, que já livram a pessoa de uma possível obsessão ou acompanhamento espiritual, se assim esta pessoa tiver. Sabemos que os processos de obsessões mais graves tem também um desfecho mais demorado, e as vezes, é necessário todo um tratamento espiritual para se obter êxito, mas são casos especiais.

Sentado dentro do recinto do terreiro, ao receber a defumação, mais um benefício, pois ali são desmanchadas nódoas astrais, larvas, e toda sorte de males astrais que aderem nosso corpo espiritual e físico, causando mal estar, sensação de "peso" sobre as costas, desnutrição espiritual, sentindo sono excessivo e fraqueza, ou , a real sensação de estar vampirizado, entre outros sintomas, que quando da realização da defumação, já estão sendo tratados. Ainda ali, esperando seu atendimento, o carente que esta presente a sessão, recebe atendimento da equipe de mentores astrais do templo, que trabalham nas pessoas, sentindo as necessidades de cada um, e desde já, providenciando melhoras.

Quando do atendimento pelo guia incorporado em seu médium, recebe então o passe, onde os guias usam a fumaça do fumo, que sabemos, conta com propriedades terapêuticas, com ação de fixação e eliminação de fluídos, utilizam pembas para trabalhos de descarga e proteção, utilizam da magia das velas e seus benefícios, entre outros, que cada guia de acordo com a necessidade se utiliza.

Alguns terreiros, como a Tenda de Umbanda Xangô 7 Raios, se utilizam ainda de fluidoterapia, e outras terapias complementares, visando, se não melhoras totais em doenças, estados mentais alterados, entre outros, uma melhor qualidade de vida para aqueles que se socorrem na Umbanda, além de colocar, por pequenas palestras ou bate papos de pequena duração antes da abertura da gira, menagem com intenção de despertar em seus adeptos, anseios de espiritualidade e um melhor padrão vibratório em todos.

A egrégora espiritual do terreiro, impregnada de axé, força mágica que a tudo movimenta, além da presença dos Orixás e Guias de Umbanda, trazem ainda alívio e força para transformar as situações de nossas vidas. O fato de se estar ligado a uma egrégora espiritual poderosa como é a Umbanda, nos blinda de diversos males existentes, não só espiritual mas atenuando e até afastando perigos de ordem física.

Assim, de uma maneira resumida, pois os benefícios de uma sessão vão além do período dos trabalhos, pois o plano astral continua trabalhando, as vezes até por vários dias consecutivos na pessoa, colocamos alguns benefícios de se frequentar uma sessão.