quarta-feira, 19 de junho de 2019

Líderes de diferentes religiões prestam solidariedade a terreiro depredado

Saudações fraternas. A notícia não é recente, mas vale a pena a publicação, para refletir...

Líderes religiosos se encontram neste domingo em terreiro incendiado em Cabuçu, Nova Iguaçu Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo
RIO - Com as paredes ainda chamuscadas, janelas despedaçadas e pedaços do piso quebrado espalhados pelo chão, o terreiro Pena Branca, em Cabuçu, Nova Iguaçu, serviu de sede para um encontro que celebrou a diversidade religiosa encontrada no Brasil. O espaço sagrado de candomblé, vítima de um ataque motivado por intolerância no último dia 8, recebeu, na manhã deste domingo, o padre Fabio de Melo; o babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa; o antigo bispo mórmon, e atual membro da congregação, Iltamar Paiva; o bispo licenciado da Igreja Mundial Renovada e subsecretário de Direitos Humanos de São João de Meriti, Marcelo Rosa; e o advogado judeu Ricardo Brajterman. O templo é comandado pelo babalaô Sérgio Malafaia D'Ogum que, sim, guarda grau de parentesco com o pastor e presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia.

O encontro inter-religioso foi motivado por outro episódio recente que levantou o tema da intolerância: durante um sermão em abril deste ano, na cidade de Cachoeira Paulista, Fabio de Melo usou a palavra macumba em tom jocoso, e viralizou na internet. Com a ajuda de Brajterman, o líder da CCIR entrou em contato com o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta: cerca de vinte minutos depois, seu telefone tocou e, do outro lado da linha, estava o padre, arrependido.

— Foi uma piadinha infeliz que abriu muitos horizontes para mim — diz o popstar da Igreja Católica, com quase 9 milhões de seguidores no Instagram. — É muito bom poder me unir a essas pessoas para que a gente busque o essencial: amor a Deus e o respeito ao ser humano.

O diálogo foi aberto às 9h na Barra da Tijuca, em um café da manhã na casa do deputado estadual e ex-secretário estadual de Esportes, Thiago Pampolha (PDT). Outro ícone gospel também estava presente, o pastor da Igreja Batista Soul, Kleber Lucas — criticado por segmentos evangélicos pela participação em atos ecumênicos. Tanto Lucas quanto Melo se comprometeram a participar da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, que vai percorrer a orla de Copacabana em 6 de setembro.

— Hoje demos um passo histórico, começando a construir uma nova possibilidade de diálogo. Vivemos em uma sociedade tão conflagrada pelo ódio, pelo racismo, misoginia, homofobia, mas estamos aqui dizendo que é possível trilhar um novo caminho pelo diálogo — comemorou Ivanir dos Santos.

SANTOS QUEBRADOS E ATABAQUES FURADOS 

Em Cabuçu, o babalaô Sérgio Malafaia D'Ogum guiou os presentes pelo templo vandalizado, mostrando o drama da perseguição religiosa. Por sorte, no momento do ataque, não havia ninguém presente, e as únicas vítimas foram os objetos sagrados. 

— Invadiram a nossa fé e a nossa privacidade — lamenta o sacerdote. — A sorte é que eu tenho uma vizinhança muito boa comigo: primeiro eles chamaram o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, e só depois me chamaram.

Com presença em Nova Iguaçu há mais de 15 anos, e à frente de diversos trabalhos sociais, como aulas de capoeira, encaminhamento para médicos e empregos, distribuição de cestas básicas, cobertores, roupas e camisinhas, pai Sérgio agora tem se dedicado a buscar fundos para poder reconstruir o terreiro.  Ele até tentou entrar em contato com o primo distante com quem compartilha o sobrenome, mas ainda não recebeu resposta.

Por enquanto, a ajuda veio da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, da denominação mórmon. No sábado, voluntários da igreja ajudaram a limpar parte dos destroços e a organizar os objetos. Durante a invasão, as paredes foram pichadas, os ibás dos santos (assentamentos que representam as entidades adoradas) foram quebrados e misturados, os atabaques utilizados nos rituais foram furados e, por fim, ateou-se fogo nos fundos do templo. 

— A minha não foi a primeira casa (atacada), e, consequentemente, eu gostaria que fosse a última. Mas não acho que será — diz o babalaô, que fez questão de elogiar o trabalho da 56ª DP (Comendador Soares) no caso.
Babalaô Sérgio Malafaia D'Ogum com o padre Fábio de Melo Foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo

'MUITO REATIVOS E POUCO REFLEXIVOS' 

Descrevendo-se como "de pires na mão" para conseguir reconstruir seu terreiro, Sérgio Malafaia D'Ogum falou sobre a dificuldade de estar no papel de quem pede:

— Para mim, está sendo uma grande lição. Tenho que sair do meu lugar e me colocar no mesmo patamar de quem já veio bater na minha porta pedindo 1 kg de arroz — diz.

— É muito fácil fazer o discurso da misericórdia estando na posição do misericordioso — ecoou Fabio de Melo.

O padre diz que o episódio o fez pensar melhor sobre o uso da linguagem e o agregou, de forma definitiva, na luta pela defesa da liberdade religiosa. Usuário assíduo das redes sociais, ele não conseguiu, no entanto, retirar o polêmico vídeo do sermão feito em abril: o perfil "Frases Padre Fabio de Melo", responsável pela divulgação, não é controlado por ele e não tem qualquer forma de contato. O Facebook ainda não atendeu o seu pedido para que clipe saia do ar.

— A internet tem um aspecto muito positivo de democratizar o direito de dizer. Só que todo mundo diz o que quer, da forma como quer, e às vezes sem nenhuma reflexão. Ela revela uma característica dos nossos tempos: somos muito reativos e pouco reflexivos — pondera.

O advogado Ricardo Brajterman, que fez parte durante anos da Fundação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, acredita que o encontro deste domingo vai fortalecer a discussão sobre o respeito à diversidade religiosa:

— O Brasil hoje está cego de raiva, dividido entre coxinhas e mortadelas — exemplifica. — Acho que esse encontro pode ser uma semente para mostrar para diversos outros segmentos que pessoas diferentes, tanto em termos de raça como religião, podem se sentar à mesa juntas.

Fonte: O Globo

sábado, 1 de junho de 2019

Traficantes dão ordem para fechar terreiros na Baixada Fluminense

Último caso aconteceu na semana passada em Duque de Caxias, quando um criminoso exigiu o fechamento de vários terreiros na região. Comissão estima que em todo o estado cerca de 100 terreiros tenham recebido ameaças.
Assista o vídeo:
https://globoplay.globo.com/v/7647281/


Os casos de intolerância religiosa têm aumentado no Rio de Janeiro e traficantes estão impedindo terreiros de umbanda e candomblé de funcionar. O último caso aconteceu na semana passada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, quando um criminoso ordenou o fechamento de vários terreiros.

Relatos de testemunhas à polícia mostram que houve uma ação coordenada pra fechar terreiros na região, especialmente no Jardim Gramacho e arredores. Investigadores dizem que a Baixada concentra boa parte das ameaças registradas esse ano.

"Ningúem é maluco de peitar, foram 15 barracões, 15 babalorixás de nome, de respeito, que não vão poder mais ser cidadãos", disse uma das testemunhas.
Uma outra pessoa diz que os barracões foram obrigados a fechar: "Está proibido. Não se toca mais o candomblé, não se toca mais a umbanda".

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio divulgou o número de casos deste ano: são 20 em Duque de Caxias e 15 em Nova Iguaçu, na Baixada, 10 em São Gonçalo e 15 em Campos, no Norte do estado. Os outros 40 terreiros seriam no Rio, segundo estimativa da comissão.

Na Cidade do Rio, a comissão disse que a maior preocupação é com os terreiros localizados na Zona Norte, principalmente em Colégio e em Irajá, e com os terreiros na Zona Oeste em Inhoaíba, Santa Cruz, Cosmos e Senador Camará.

Diante do aumento dos casos de intolerância religiosa e de ameaças aos terreiros, o Ministério Público Federal em São João de Meriti, responsável por toda a Baixada, abriu um inquérito civil sobre o assunto.

"O Ministério Público pretende levar isso aos órgãos do Estado, ao governador, a presidência da Alerj, ao Ministério Público do Estado e garantir que esse caso seja realmente investigado", disse Júlio Araújo, procurador da República.

Para a polícia, os casos ocorrem em áreas dominadas por uma mesma facção. As investigações são da Decradi, delegacia criada no ano passado para combater os crimes de intolerância.

O delegado confirma as investigações em Nova Iguaçu, mas diz que nenhuma das vítimas de Caxias foi até a delegacia para comunicar a onda de ameaças da semana passada.

Enquanto a polícia espera, as vítimas continuam cercadas pelo medo e pela violência.

"Não tem respeito por ninguém, não tem respeito por nada. A gente tem que acatar. Ou acata ou a gente morre", disse uma das vítima.

Fonte: G1

sábado, 18 de maio de 2019

A umbanda no Rio Grande do Sul

Como em todo o Brasil, também no Rio Grande do Sul a Umbanda surgiu defendendo padrões e comportamentos aceitos socialmente. No entanto, não escapou a repressão policial.

Segundo M. Caldas – um dos maiores intelectuais da Umbanda e do espiritismo no Rio Grande do Sul, hoje falecido, nos primeiros tempos, o Centro de Charão não possuía um endereço fixo, funcionava de forma itinerante (o endereço mudava toda semana). Além dessa instabilidade, também o próprio espiritismo e o Batuque se opuseram a Umbanda nascente. O primeiro desqualificava as suas práticas mediúnicas, o segundo não aceitava que os Orixás fossem invocados sem suas normas rituais, o que denuncia que estava em jogo uma disputa de bens simbólicos.

 De Rio grande, a Umbanda foi levada para Porto Alegre pelo capitão da Marinha, Laudelino de Souza Gomes, que fundou nessa capital a Congregação Espírita dos Franciscanos de Umbanda, em 1932, e que existe nos dias atuais. Nesse caso, é dupla a razão do termo franciscano. Em primeiro lugar pela sincretização entre São Francisco de Assis e Lokô (termo Yourubá), ou Irokô (termo Jêje), ou Orixá Tempo (Angola), isto é: a árvore gameleira branca; em segundo lugar pelo uso que seus membros faziam uma espécie de bata branca com sandálias e cordões em torno ao ventre, semelhante à vestimenta de São Francisco.

Pernambuco Nogueira esclarece que tanto Charão quanto Souza Gomes não eram naturais do Rio Grande do Sul, e ambos tiveram na África por algum tempo. No entanto, dedicaram-se quase que exclusivamente a implantação e divulgação da Umbanda (Nogueira 2001). Outros importantes personagens divulgadores da Umbanda nesse estado foram Norberto de Oliveira, que introduziu no município de Viamão, Jesina Furtado fundadora da casa Mestre Quatro Luas; e Astrogildo de Oliveira, fundador do Templo Rainha Yemanjá Fraternidade Ubirajara.

Segundo Pernambuco Nogueira, essa ultima casa possuía [...] a peculiaridade de ter construído, nos fundos, uma miniatura de todos os Reinos em que se efetuavam os rituais, inclusive uma calunga pequena (Cemitério) para ali realizar trabalhos sem sair do local do Templo, pois se preocupava com deturpações já existentes.
Uma particularidade desses templos mencionados, e que hoje já não vigora, reside no fato de que a abertura dos trabalhos era efetuada por uma linha não mais encontrada hoje: a linha da Yaras, que se apresentavam se arrastando pelo chão, como o fariam as sereias em terra seca, e promoviam a limpeza do templo utilizando-se de água.

No mais, na Umbanda do Rio Grande do Sul são cultuados “caboclos”, “preto-velhos” e “crianças”, aos quais não são realizados sacrifícios de animais. Outrora era também cultuada a linha “linha ou povo de Oriente”, hoje quase em extinção. Segundo a representação dos Umbandistas, tratava-se de entidades bondosas, bastante evoluídas e que transmitam vibrações puras. Seus médiuns, incorporados, adotavam a postura corporal e os gestos dos povos do Oriente: chineses, indianos, árabes e ciganos. Nos trabalhos da casa de Pernambuco Nogueira manifestavam-se duas entidades indianas: Brahmayana e Nargajuna.
Hoje o “povo cigano” foi transformando em Linha de Exu. Quanto aos guias Orientais, se manifestam em poucas casas que trabalham com o que denominam de Junta Médica.

A Linha Cruzada

                Trata-se de uma expressão religiosa relativamente nova, iniciada, tudo indica, na década de 1960. Constitui, porem, a que mais tem crescido nesse Estado, sendo cultuada hoje em cerca de 80% dos terreiros. Segundo Norton Correa, “essa modalidade ritualística chama-se cruzada [...] porque, enquanto o Batuque cultua apenas Orixás e Umbanda, caboclos e preto-velhos; a Linha Cruzada reúne-os no mesmo templo, cultuando, além deles, também os exus e suas mulheres míticas, as pomba-giras – provavelmente originários da Macumba do Rio de Janeiro e São Paulo” (Correa, 1998:48).

Ainda segundo Correa, as principais razões para o crescimento da Linha Cruzada seriam os seguintes: os custos dos rituais são mais baratos que o do Batuque; e seus membros podem reunir e somar a força mística do batuque com a da Umbanda.

A proliferação de terreiros Cruzados tem se constituído num forte motivo de polêmica e de acusação mútua entre os membros das religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul. Trata-se em verdade, de um conflito, em parte inter geracional, em que os “mais velhos” na religião tendem a considerar essa inovação como uma “deturpação” da religião dos orixás por parte dos mais jovens, ao mesmo tempo em que expressa em parte também um conflito entre os “conservadores” e os “modernos” as mudanças sendo compreendidas à tradição como uma violação dos fundamentos da religião.

De uma maneira geral, são extremamente precários os números acerca dos terreiros existentes no Rio Grande do Sul, bem como a incidência de rituais dentro das modalidades religiosas acima referidas. Seja como for, e para dar ao menos uma ideia de grandeza, deve existir hoje cerca de 30 mil terreiros em atuação nesse estado, onde, em cerca de 80% deles, são celebrados rituais de Linha Cruzada, em 10% somente rituais de umbanda (caboclos e preto-velhos) e em 10%, somente rituais de Batuque (nação).

Fonte: Extraído da revista Umbanda Centenária.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Gravidez segundo o espiritismo

A Gravidez é planejada na espiritualidade?

Muitas mulheres dizem que nasceram para serem mães.  A gestação é um período de transformações tanto físicas como emocionais muito importantes para as mulheres. Toda gravidez é planejada na espiritualidade?

A doutrina espírita nos ensina que a partir do momento em que a alma se une ao corpo começa a concepção. Entretanto, ela não se completa senão no momento do nascimento.

“Desde o momento da concepção, o espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus” (questão. 344 de O Livro dos Espíritos).

O espiritismo nos ensina também que para cada vez que temos que reencarnar a viver no planeta Terra é realizado um planejamento reencarnatório. Ou seja, o espírito se prepara e estuda suas possibilidades, além de serem decididas, questões relacionadas à: formação familiar, a estrutura física, as faculdades que devem ser exercitadas e adquiridas nesta nossa reencarnação.

Com isso, pode-se perguntar:  E a gravidez? Ela faz parte do processo reencarnatório?
De acordo com André Marouço, no programa Boletim, da TV Mundo Maior. Sim!!
“Nós estamos falando de algo importante: a reestreia no palco da vida de um espírito milenar. E todas as pessoas estão ligadas neste espírito reencarnante”.
André completou falando sobre André Luiz:
“Trata-se de uma engenheira que nós sequer temos condições de entender. André Luiz, fala do Ministério da Reencarnação, que tem como objetivo planejar essa reencarnação”.
E em relação às escolhas? Quem decide? O espírito sabe o que lhe vai acontecer?

Allan Kardec, na questão 258, indaga os espíritos superiores:
“Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?
Resp: Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu livre-arbítrio”.  
Segundo André Marouço, Allan Kardec e os espíritos superiores estão falando especificamente de espíritos um pouco mais adiantados no estágio de provas e expiações.
“Os espíritos primitivos não têm condições de discernir entre aquilo o que é melhor para eles no projeto reencarnatório. Isto é a chamada reencarnação compulsória”. Ou seja, ele tem um tutor, alguém, um espírito mais experiente que sabe o gênero de experiências que essa criatura precisa passar nas reencarnações”.
E finalizou
“Aqui, na Terra, em provas e expiações, boa parte de nós, planejamos ao lado desses ‘engenheiros da reencarnação’ aquilo o que é melhor”, André Marouço

Vale lembrar que uma gravidez somente acontece onde há condição vibratória adequada entre os pais e os espíritos reencarnante. Seja ela, por uma situação que precisa ser revolvida, quitada, ou pela simples escolha de ambas as partes.

Saiba mais sobre Gravidez segundo o espiritismo no programa Boletim:

Fonte: Rádio Boa Nova