quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O espiritismo e as religiões afro

O espiritismo popularmente conhecido no Brasil como Doutrina Espírita ou Kardecismo, foi codificado na segunda metade do século XIX pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que para fins de difusão desses trabalhos sobre o tema, adotou o pseudônimo de "Allan Kardec".
O termo "kardecista" não costuma ser o usado por parte dos adeptos, que reservam a palavra "espiritismo" apenas para a doutrina tal qual codificada por Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do espiritismo, e denominando correntes diversas de "espiritualistas". Estes adeptos entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só, o que tornaria redundante o uso do termo "espiritismo kardecista". Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas (ainda que com uma tolerância maior ou menor a conceitos que não são estritamente doutrinários, como a apometria), denominam-se simplesmente "espíritas", sem o complemento "kardecista".A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como "kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo ou o budismo, mas a uma coletividade de espíritos que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo.
José Lacerda de Azevedo, médico espírita brasileiro, compreendia o kardecismo como uma "prática ou tentativa de vivência da Doutrina Espírita" criado por brasileiros "permeada de religiosidade, com tendência a se transformar em crença ou seita".
As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o "espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "espírita kardecista" para distingui-los dos que passaram a ser denominados como "espíritas umbandistas".
Como vimos acima, existe toda uma tentativa de diferenciar as práticas religiosas afro brasileiras do espiritismo, pois este movimento hoje em dia não parte apenas de espíritas, mas também de umbandistas, e praticantes de diversas correntes de religiões afro.
Sabemos que o espiritismo nutre profundo respeito por todas religiões existentes, não só as de matriz africana, mas também pela Umbanda, o Catolicismo, as religões oriundas da reforma protestante, as orientais, enfim, mas também somos cientes que cada uma carrega sua doutrina, suas práticas, e que nenhuma é igual a outra.
A vista do leigo, quando falamos em religiões que tem práticas mediúnicas, tudo fica incluido no título macumba, mas o fato é que as diferenças existem e não são poucas, entre todas as correntes religiosas aqui citadas.
Como sabemos, o espiritismo, segundo as conceituações de Allan Kardec, tem suas bases no evangelho de Jesus, sendo assim, Cristão, título que a maioria dos cultos afro não possuem, por serem religiões muito anteriores ao Cristo, não tendo seus ensinos, nem bases Cristãs.
O espiritismo não tem sacerdócio organizado, nem sacramentos, dogmas, dízimos compulsórios, nem tampouco realiza rituais com incensos, oferendas, sacrifícios, não se utiliza de imagens, nem fetiches de qualquer espécie, não há sinais cabalísticos, despachos, velas, trabalhos, nem jogos divinatórios, enfim, o espiritismo se utiliza na sua prática, apenas de leitura do evangelho, muita prece e passes magnéticos ministrado pelos médiuns, que nada mais é que a imposição das mãos, prática largamente utilizada nos tempos de Jesus e dos discípulos, segundo o evangelho.
O espiritismo realiza as práticas de acordo com as recomendações de Jesus, não utilizando coisas materiais, pois Jesus nos disse:

"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em espírito e em verdade; porque o pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é espírito, e importa que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade." ( João 4:23,24)


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