Pular para o conteúdo principal

O espiritismo e as religiões afro

O espiritismo popularmente conhecido no Brasil como Doutrina Espírita ou Kardecismo, foi codificado na segunda metade do século XIX pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que para fins de difusão desses trabalhos sobre o tema, adotou o pseudônimo de "Allan Kardec".
O termo "kardecista" não costuma ser o usado por parte dos adeptos, que reservam a palavra "espiritismo" apenas para a doutrina tal qual codificada por Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do espiritismo, e denominando correntes diversas de "espiritualistas". Estes adeptos entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só, o que tornaria redundante o uso do termo "espiritismo kardecista". Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas (ainda que com uma tolerância maior ou menor a conceitos que não são estritamente doutrinários, como a apometria), denominam-se simplesmente "espíritas", sem o complemento "kardecista".A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como "kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo ou o budismo, mas a uma coletividade de espíritos que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo.
José Lacerda de Azevedo, médico espírita brasileiro, compreendia o kardecismo como uma "prática ou tentativa de vivência da Doutrina Espírita" criado por brasileiros "permeada de religiosidade, com tendência a se transformar em crença ou seita".
As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o "espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "espírita kardecista" para distingui-los dos que passaram a ser denominados como "espíritas umbandistas".
Como vimos acima, existe toda uma tentativa de diferenciar as práticas religiosas afro brasileiras do espiritismo, pois este movimento hoje em dia não parte apenas de espíritas, mas também de umbandistas, e praticantes de diversas correntes de religiões afro.
Sabemos que o espiritismo nutre profundo respeito por todas religiões existentes, não só as de matriz africana, mas também pela Umbanda, o Catolicismo, as religões oriundas da reforma protestante, as orientais, enfim, mas também somos cientes que cada uma carrega sua doutrina, suas práticas, e que nenhuma é igual a outra.
A vista do leigo, quando falamos em religiões que tem práticas mediúnicas, tudo fica incluido no título macumba, mas o fato é que as diferenças existem e não são poucas, entre todas as correntes religiosas aqui citadas.
Como sabemos, o espiritismo, segundo as conceituações de Allan Kardec, tem suas bases no evangelho de Jesus, sendo assim, Cristão, título que a maioria dos cultos afro não possuem, por serem religiões muito anteriores ao Cristo, não tendo seus ensinos, nem bases Cristãs.
O espiritismo não tem sacerdócio organizado, nem sacramentos, dogmas, dízimos compulsórios, nem tampouco realiza rituais com incensos, oferendas, sacrifícios, não se utiliza de imagens, nem fetiches de qualquer espécie, não há sinais cabalísticos, despachos, velas, trabalhos, nem jogos divinatórios, enfim, o espiritismo se utiliza na sua prática, apenas de leitura do evangelho, muita prece e passes magnéticos ministrado pelos médiuns, que nada mais é que a imposição das mãos, prática largamente utilizada nos tempos de Jesus e dos discípulos, segundo o evangelho.
O espiritismo realiza as práticas de acordo com as recomendações de Jesus, não utilizando coisas materiais, pois Jesus nos disse:

"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em espírito e em verdade; porque o pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é espírito, e importa que os que o adoram, o adorem em espírito e em verdade." ( João 4:23,24)


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Homenagens a Yemanjá

Saudações caros irmãos leitores deste espaço.
Comemoramos dia 2 de Fevereiro o dia de Yemanjá, que podemos dizer sem medo de errar que se trata da maior manifestação de fé afro umbandista de ponta a ponta do litoral gaúcho.
Trata-se de uma data onde todos se reúnem para homenagear a grande mãe dos mares, numa legítima manifestação de fé e devoção, onde diversos Umbandistas, Católicos, Espiritualistas e irmãos e irmãs de tantas outras religiosidades se irmanam a beira mar num propósito de agradecimento e pedidos de saúde, paz e felicidade.
A Tenda não ficará de fora destas manifestações, e estaremos realizando dois eventos nestes dias:

O primeiro evento será a inauguração de uma imagem entronada a beira mar pelo irmão e Cacique Fábio Boff, dia 1º de Fevereiro, às 21:00hs, anexo ao antigo quiosque do Marzinho, em frente ao farol de Arroio do Sal.

O segundo será o trabalho próprio da Tenda, com o cruzamento dos médiuns da casa e sessão realizada a beira mar, dia 2 de Fevereiro, às 20:30hs, …

Orixás regentes do ano de 2019

Ao falarmos sobre este assunto cabe esclarecer que existem diversas maneiras de, digamos eleger os Orixás regentes do ano, e cada escola ou religião faz a sua maneira, seguindo a sua tradição. Fato que também temos a nossa.
Aqui no Rio Grande do Sul existe a tradição herdada do Batuque Gaúcho de eleger o Orixá que estará regendo o ano através do dia da semana em que cai o dia 1º de Janeiro. Então, 2019 temos o dia 1/1 em uma Terça feira, dia de Xangô, então o regente de 2019 será xangô.
Nós da Tenda de Umbanda Xangô 7 Raios preferimos adotar mais alguns critérios para fazer uma análise mais profunda, como regências astrológicas, além é claro de consultas aos oráculos.
Fato é que temos o ano de 2019  sob a regência do planeta Marte. Este planeta é regido pelo Orixá Ogum. Temos portanto também a participação deste Orixá no ano.
Em resumo então temos: Um ano onde Ogum estará regendo ao lado de Xangô. Sabemos que mais alguns Orixás satélites estarão próximos, mas como soberanos temos este…

Como Espiritualizar-se? – Dica de Chico Xavier

Existe uma crença precipitada de que espiritualizar-se é o desapego total às questões materiais da vida. Esse conceito errôneo pode se dar pelo fato de que o ser humano ainda dê tanta importância aos bens físicos e materiais que isola em um extremo o sua espiritualidade.
No livro Plantão de Respostas Pinga Fogo Volume II, no qual reúne às questões abordados no programa Pinga Fogo, da extinta TV Tupi, foi retirada a seguinte pergunta:

Por que vivemos cada vez mais pensando apenas nas coisas materiais e pouquíssimo nas espirituais?
Respeitando as imperfeições ainda presentes nos espíritos em provas e expiações, é importante analisarmos a resposta de Chico para iniciarmos ou darmos continuidade no processo de espiritualização. Chico responde assim:

“O homem atual vive deslumbrado com os bens materiais, que são colocados à sua disposição pela tecnologia que avança a cada dia através de uma propaganda que insiste em colocá-lo como caminho da felicidade. Porém, quando os adquirimos não compr…