quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Repensando o Ensino Religioso

Sirlei Groff Zanini *

O ser humano, além de ser social, político, histórico e afetivo, é um ser religioso. Em todos os lugares, manifesta a necessidade de buscar e de relacionar-se com o transcendente.
O estudo do Ensino Religioso compreende um conjunto de acontecimentos, expressões e manifestações que envolvem os seres humanos. Construir mesquitas e igrejas, jejuar, meditar, entoar mantras, ritualizar, ler textos sagrados, praticar a caridade e evangelizar – tudo o que acontece no âmbito religioso – faz parte deste fenômeno.
A escola deve conhecer os elementos básicos da religiosidade, para possibilitar aos educandos que compreendam as razões pessoais, históricas, familiares, sociais e culturais de sua opção. O conhecimento de diferentes tradições permite ampliar a visão e a percepção, possibilitando-nos compreender e respeitar a posição do outro.
Atualmente, entende-se o Ensino Religioso como disciplina escolar que visa ao conhecimento da dimensão religiosa do ser humano, centrada na antropologia religiosa. Pautada pela Lei Nº 9394/96, Art. 33 (alterada pela Lei Federal Nº 9475/97), seu objeto de estudo é o Sagrado. E entendemos o Sagrado como o conjunto de interpretações, experiências e compreensões acumuladas pelas diversas tradições culturais, religiosas e filosóficas construídas historicamente pelo homem, nas suas mais diversas representações.
Devemos nortear os trabalhos pedagógicos dentro de um espírito de sensibilidade e pluralidade, por isso esta disciplina não pode ser direcionada para a catequese ou doutrinação. Assim, a Educação Religiosa vem somar com a educação no seu todo, possibilitando aos alunos e aos professores o conhecimento sobre o fenômeno religioso, a descoberta e o resgate do sagrado na vida, o despertar para o encantamento e a vivência de atitudes de respeito às diferenças, diálogo e paz.
“Não há como unificar os homens, nem como agrupá-los numa única fé, nem tampouco porquê. E é bem mais bonito saber que Deus manifesta-se de muitas formas diferentes e de que em nenhum lugar é ausente”. Trecho extraído do livro Ogundana, O Alabê de Jerusalém, de Altay Veloso.
* Pedagoga, especialista em Pastoral da Educação e Ensino Religioso pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Toledo (PR), e professora de Ensino Religioso do Colégio Estadual Eleodoro Ébano Pereira – Cascavel (PR).
Fonte: http://www.ensinoreligioso.seed.pr.gov.br

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