sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Pagar axé, dízimo, oferta, realmente é algo sagrado?

Chico Xavier
Respondendo de forma rápida a pergunta, me apresso em dizer, não, não é algo sagrado, nem teria como ser, pois até onde sei, Deus não deu procuração a qualquer ser humano para representa-lo, nem para administrar ou vender seus benefícios aqui na terra.
A cobrança de valores dentro das religiões é algo que deveria ser visto como um problema a ser resolvido pelas autoridades como o Ministério Público, pois é algo que lesa diversas pessoas que são exploradas todos os dias, não só na religião A, como na B e C, enfim, religião hoje se tornou um dos negócios mais lucrativos que temos.
Além de ser isentas de todo ou qualquer imposto sobre seus bens, sacerdotes religiosos tem a vida que pediram a Deus, com toda força desta expressão. Os ditos religiosos - algo que podemos dizer em torno de 99% deles - levam uma vida quase que sem ser necessário esforços de nenhum tipo para manutenção de sua subsistência, pois tem uma receita bem gorda advinda dos fiéis que contribuem com suas "ofertas para o sagrado", além de grande maioria destes sacerdotes se considerarem deuses, que tem de ser bajulados por todos, comerem somente os melhores alimentos e terem atenções especiais dedicadas a suas vidas consagradas.
Acredito que alguém a ser tido como exemplo de sacerdócio religioso - apesar do espiritismo não ter sacerdotes, mas apenas para ilustrar - seria Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, com toda uma vida dedicada a religiosidade, ao servir o próximo, uma vida de doação a todos, onde nunca se teve notícia de que Chico cobrou um centavo de quem quer que o procurasse, muito pelo contrário, do seu pouco salário de funcionário público ainda destinava uma parte para doações.
Zélio F. de Moraes
Outro que me cabe lembrar seria Zélio Fernandino de Moraes, o médium do Caboclo das 7 encruzilhadas, fundador da Umbanda, que até onde se sabe, todas as vezes que queriam lhe retribuir seus serviços religiosos, ele recusava e devolvia os valores, sempre também com esta ordem do próprio Caboclo das 7 Encruzilhadas: "-Não aceite, devolva."
Outro detalhe que nos cabe aqui citar. Por que o sacerdote religioso não pode ter seu trabalho secular e comer do seu próprio trabalho? Sim, alguns irão falar que não podem destinar o tempo necessário a suas obrigações religiosas, aos fiéis, etc, etc, mas enfim, como Chico Xavier conseguia? Dormia ele algumas poucas horas por dia, em uma vida de sacrifícios em todos sentidos. Trabalhando como funcionário público, tinha tempo para o centro espírita que dirigia, para os estudos, atendimento de carentes, e nas horas de folga, escrever livros.                                                                    
Aquele que escolhe a vida de sacerdote religioso deveria ser para servir, não para ser servido. O sacerdócio não é algo imposto, todos possuem seu livre arbítrio. Acha que será muito sacrifício trabalhar como um  cidadão comum e ter de se doar ao próximo sem receber nada em troca? Então não aceite o desafio. Isto seria o melhor para o mundo.
Finalizando, como Jesus disse: Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai! (Mateus 10:8)
Porém alguns podem dizer que assim falou o Apóstolo Paulo; Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar
(1 Coríntios 9:13), mas porém esta era a opinião de Paulo. Creio que se Paulo de Tarso fosse encarnado hoje, ele mudaria de ideia.

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