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BANHOS DE DESCARGA E DEFUMADORES

Fragmentos do livro Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda.

Estudo apresentado pela Tenda Espírita Fé e Humildade, na reunião de 22 de Outubro de 1941, por intermédio do Sr. Eurico Lagden Moerbeck, seu Delegado e Presidente do Congresso.

É comum ouvir-se de pessoas mais ou menos cultas, ocupando posições de relevo na vida social, palavras de sincera estranheza acerca da recomendação frequentemente ouvida dos trabalhadores invisíveis da chamada "Lei de Umbanda", quanto aos banhos de descarga e defumadores. Não podem compreender essas pessoas - e confessam-no em sua boa fé — que uma infusão de ervas silvestres de aroma nem sempre agradável ao nosso olfato, possa produzir efeitos terapêuticos num organismo depauperado ou momentaneamente enfermiço. E por tal não compreenderem, deixam de executar as recomendações dos caboclos amigos, continuando a ostentar no seu ambiente físico as causas que as levaram às sessões. Outra prática com a qual não concordam muitos dos leigos no assunto, é a dos defumadores individuais ou coletivos, como meio de se libertarem das más influências que porventura os persigam. Alegam, alguns, que semelhante prática só poderá ter cabimento em ambientes destituídos de certa cultura, no meio dos simples e humildes, e nunca entre pessoas esclarecidas que nenhum alcance descobrem em trabalhos desta natureza. E não há de ser pequeno o número das pessoas que se sentiriam diminuídas perante si próprias e os seus familiares, se uma visita as surpreendesse de fogareiro à mão a percorrer, atentas, todos os recantos do seu confortável palacete, a espargir delicados évolos de fumaça impregnada de incenso, mirra ou benjoim, ou dos três reunidos para um mesmo efeito. Certo não encontrariam de pronto, para dar à visita, uma explicação bastante credível que lhe não transmitisse a convicção de se encontrar em face de alguém que frequenta sessões espíritas. Não há, porém, nenhuma novidade para os atuais viventes da terra, na adoção dos banhos de descarga como meio de restabelecer o equilíbrio orgânico, nem no uso de defumadores aromáticos para a limpeza do ambiente psíquico. Tanto um como outro datam de tempos imemoriais, e foram adotados por todos os povos cultos do passado, constituindo ainda uma pratica generalizada entre várias das raças espiritualmente mais adiantadas do presente. Entre os indus como entre os fenícios, duas das raças orientais mais evoluídas do passado, assim como entre os gregos, godos e wisigodos que imperaram por largos séculos no Ocidente, os banhos aromáticos e a queima de resinas odorantes constituíam hábitos a que se não escusavam as suas mais nobres figuras. Faziam-no — sabemo-lo nós hoje — não por um simples apego à tradição avoenga ou por um diletantismo qualquer, mas, sim, por um princípio de higiene psíquica, para manter à distância os inimigos ocultos, ou, segundo os dogmas religiosos de então, para tirar o demônio do corpo. Ora, isto nada mais representava que uma prática perfeita de alta magia, ensinada e recomendada aos seus contemporâneos pelos magos ou oráculos de então, que outra coisa não eram senão os espíritas de hoje. Como os trabalhos de "passes magnéticos" não existissem naqueles tempos, os banhos e defumadores realizavam o tratamento. Esta é a síntese histórica dos atuais banhos de descarga e defumadores de "caboclos". A atuação dos banhos de descarga no organismo humano consiste na limpeza dos fluidos maléficos nele depositados por entidades perturbadoras ou malfazejas, com a intenção de transmitir a enfermidade àquele que lhes caiu no desagrado . 
Tais entidades conseguem os seus objetivos pela aproximação da criatura que desejam perturbar, espargindo sobre ela, ou na parte que lhes parecer mais suscetível, os fluidos maléficos de que são portadores. Pela delicadeza de sua constituição e pela importância de sua função no organismo, quase sempre são os pulmões, o fígado, os rins ou o coração, os órgãos mais diretamente visados. Sobre eles os obsessores vão concentrando os seus fluidos dia por dia, ao mesmo tempo que vão transmitindo ao espírito da criatura a ideia persistente da doença, até conseguirem impressiona-la. Desta ação invisível resulta, não raras vezes, o calvário de numerosas criaturas. Certas de que estão sofrendo do coração, por exemplo, dirigem-se ao médico, a quem relatam tão pormenorizadamente os sintomas da "moléstia", que este não pode deixar de concordar com elas. Ao examinar o coração, porem, não encontra o facultativo a confirmação do que ouviu, porque esse órgão entrou a funcionar com admirável precisão. E' que o obsessor está presente e removeu os fluidos para o fígado, afim de desviar a atenção do clínico e transformar-lhe o diagnóstico. Examinando este órgão, encontra-o o médico positivamente afetado, não lhe sendo difícil convencer o cliente de que tudo quanto ele sentia e julgava ser do coração, era de origem hepática. Receita, pois, para o fígado, e o doente inicia o tratamento. 
O obsessor, entretanto, que é inteligente, remove novamente os fluidos para o coração e deixa o obsedado esgotar o tratamento hepático. Se este volta ao médico para lhe dizer que não melhorou, o facultativo, certo da sua ciência, examina-o mais atentamente, concluindo ainda uma vez que o coração nada tem. Já então percebe qualquer irregularidade no funcionamento do baço e concilie que deve ser este o órgão realmente afetado. Imagina logo ter-se equivocado muito provavelmente na vez anterior, desviando sua atenção para o fígado. Receita desta vez para o baço e o paciente submete-se ao novo tratamento. Novamente o obsessor, para desconcertar os dois, desviara os fluidos para o baço, deixando livres o coração e o fígado. E assim continuará o sofrimento da criatura, com probabilidades de ter de suportar até intervenções cirúrgicas dolorosas, se alguma entidade amiga, o seu Guardião, por exemplo, não intervier em seu favor. Imaginemos agora que assim aconteceu, e o doente encontra meios de comparecer a uma sessão da chamada "Lei de Umbanda". Conduzido à presença do Guia, trata este inicialmente de investigar o seu ambiente psíquico, que encontra seriamente perturbado pela ação fluídica de um ou mais obsessores. A primeira coisa a fazer, então, é a atração dos obsessores ao recinto dos trabalhos, donde são enviados para o Espaço, afim de que se regenerem no meio daquelas falanges de trabalhadores. O doente, entretanto, ostenta uma boa carga de fluidos maléficos nele deixados pelo obsessor, e que se torna urgente retirar para restabelecer o equilíbrio orgânico. Para a retirada, pois, desses fluidos, são lhe recomendados tantos banhos de descarga quantos forem requeridos pelo seu estado, e que devem constituir séries de três, sete, ou vinte e um, segundo a indicação do Guia, os quais deverão ser tomados em dias seguidos, sem nenhuma interrupção, para que o efeito corresponda à necessidade do doente. O defumador passa a ter, aí, um papel de relevo na limpeza do ambiente. A queima das substâncias indicadas para este fim, e que tanto podem constar de ervas secas escolhidas pelas suas propriedades magnéticas, como da reunião de resinas aromáticas apropriadas, — produz no campo mental do doente uma espécie de profilaxia, expulsando de lá as entidades incompatíveis com os elevados sentimentos do bem e da fraternidade espiritual. A elevação de uma prece a Jesus durante o defumador, e a salvação aos nomes das entidades graduadas da Lei de Umbanda, ou daquelas santificadas pelo seu devotamento à causa sagrada da humanidade, tem a virtude de atrair algumas falanges de trabalhadores invisíveis, que passam a cooperar na limpeza psíquica do ambiente doméstico. E aí reside uma das causas por que o Espiritismo consegue realizar curas consideradas impossíveis pela ciência contemporânea, depois de esgotar os recursos aconselhados à especialidade. E' que, em se tratando de males de origem psíquica, a sua cura só se poderá processar no mesmo plano, pelo conhecimento e remoção das respectivas causas. Quase se pode afirmar que, hoje em dia, oitenta por cento dos males que afligem a humanidade, provêm daquela origem. A ciência combate efeitos; mas, se as causas persistirem, só o Espiritismo as removerá.

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