sexta-feira, 15 de novembro de 2013

OS QUE DESENCARNARAM NA LINHA BRANCA


Quando desencarna uma pessoa filiada à Linha Branca de Umbanda, as atenções dispensadas ao seu organismo físico passam a ser consagradas ao seu espírito.
Logo que se verifica a fatalidade irremediável do próximo trespasse, os protetores, os companheiros de trabalho e as famílias, com habilidade, começam a preparar o enfermo para a mudança de plano, para que a morte do seu corpo ocorra sem abalo para o seu espírito.
Nas horas da agonia, os seus amigos da Terra, com a concentração e as preces, e os do espaço, por outros meios, procuram suavizar-lhe o sofrimento, depois, quando o espírito se desprende, as entidades espirituais que assistiam ao doente agem no sentido de que esse desprendimento seja completo, para que a alma liberta não se ressinta da decomposição da matéria em que viveu. Acolhem-no depois, carinhosamente, no espaço, empenhando-se para atenuar-lhe a perturbação e encaminhando-o, aos destinos que lhe estavam traçados.
Certas pessoas cometeram faltas que os seus serviços ao próximo, por intermédio da Linha Branca de Umbanda, não compensaram suficientemente. Devem, por isso, sofrer no espaço. Nessa hipótese, os protetores da Tenda, a que eles pertenceram na Terra, conseguem, para resgate dessas culpas, que tais espíritos, ao invés de padecerem errando no plano espiritual mais próximo do da Terra, purifiquem-se em missões ásperas, obscuramente laborando, sob às ordens de outros.
Casos há em que tais protetores trazem as sessões para que esclareçam e orientem os seus herdeiros sobre os seus negócios, ou legados, espíritos de pessoas que não os explicaram, ou deixaram obscuro, ou embrulhados, quando desencarnaram.
Os grandes trabalhadores humanos da Linha, quando desencarnam, ainda que tenham de afastar-se de nossa atmosfera, voltam, uma ou mais vezes, em manifestações carinhosas, às Tendas de seus companheiros.
Exemplificando, citarei o caso do conhecido médium curador Bandeira. Oito dias depois de seu trespasse, por ordem do guia, celebraram-se sessões à sua memória, nas Tendas do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Na Tenda em que estávamos, às oito e meia da noite, o chefe do terreiro anunciou:
- O nosso irmão Bandeira, conduzido pela falange de Nazareth, caba de baixar, na Tenda matriz.
Às nove horas assinalou a sua manifestação na Tenda de N. S. da Guia e após, a sua vinda para a nossa.
Nesta, ele tomou um médium que nunca o vira, mas a sua incorporação foi tão completa, que todos os reconhecemos imediatamente. Vencida a emoção do primeiro momento, depois de abraçar os dirigentes da sessão, Bandeira, pelo médium desconhecido, chamou todas as pessoas que frequentavam a Tenda por sua indicação, em seguida, aquelas com as quais manteve relações, por fim, as restantes. 
Disse, despedindo-se, que não poderia retardar-se, pois combinara com o presidente da Tenda da Guia voltar lá, para uma reunião de caráter íntimo, onde deveria dar informações e instruções para assegurar a tranquilidade do conforto material a sua progenitora.
E era verdade.

Fonte: O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Leal de Souza. Rio, 1933.

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