quinta-feira, 27 de março de 2014

Um caso de Memória Espontânea

Um menino turco, de quatro anos de idade, que, de repente, começou a falar sobre sua vida anterior e descreveu-a com impressionantes detalhes. Quando levado ao local do seu nascimento anterior, não apenas localizou a casa em que morara a pessoa, com quem ele se associava, como reconheceu os parentes e amigos daquela pessoa.

"- Estou cansado de morar aqui. Quero voltar para minha casa e meus filhos." Não se trata aqui do lamento de um velho, distante do lar, mas de uma criança - Ismail Altinklish. Ismail nasceu em 1956. Já na idade de um ano e oito meses, ele balbuciava a respeito de sua vida anterior. Ismail afirmava que, numa outra vida, ele tinha sido Abeit Suzulmus, homem que fora assassinado. O menino tinha uma cicatriz de nascimento na cabeça, a qual, segundo afirmação da mãe, persistiu até 1962. Abeit Suzulmus fora morto por uma pancada na cabeça.

Abeit Suzulmus empregara muitos trabalhadores de uma outra cidade em seu jardim. Certo dia, por razões ainda não esclarecidas, os trabalhadores levaram-no a um estábulo, onde o assassinaram, espancando-o com uma barra de ferro. Ouvindo os gritos, Sahida e duas de suas crianças se precipitaram para o local da cena. Os assassinos também os mataram, e fugiram. Uma semana depois os criminosos foram capturados, julgados e condenados.

Ismail repetidamente pedia a seus pais que o deixassem  visitar a casa de Abeit. A princípio recusaram, na esperança de que isso fizesse com que o menino esquecesse seus pedidos. Mais tarde, entretanto, a conselho de um amigo, Erol Erk, os pais acederam às solicitações do menino. Ismail, que na época tinha apenas três anos de idade, indicou a caminho para a casa de Abeit, que se situava aproximadamente mil e duzentos metros do local em que ele residia. Ao chegar, reconheceu, para espanto de seus pais, que o acompanhavam, todas as pessoas.e objetos que foram familiares a Abeit.  Subsequentemente, uma das filhas de Abeit visitou Ismail. Após conversarem durante horas, ela ficou firmemente convencida de que ele era seu pai renascido.

Ismail pensava constantemente em sua antiga família. Isso tornou-se problema para os pais. Em certa ocasião, quando Mehemet Altiriklish, pai de Ismail, comprou algumas melancias, o menino quis a maior delas para dar à "sua" filha, Gulsarin. A recusa do pai levou Ismail a profundo choro. Na verdade, Mehemet não era homem rico e, naturalmente, não podia dar-se ao luxo de presentear a família anterior de seu filho.

Às vezes, Ismail comportava-se como um adulto, e seus pais acreditavam ser ele dotado de uma inteligência superior à das outras crianças. Também diziam que ele, escondido, tomava raki, bebida turca de forte conteúdo alcoólico. Abeit também era conhecido como grande apreciador de raki.

Um vendedor de sorvetes, de nome Mehmet, passou pela casa de Ismail. Quando este o viu, aproximou-se dele e perguntou-lhe se o reconhecia. O vendedor de sorvetes respondeu que não, então Ismail disse-lhe: "Você se esqueceu de mim. Sou Abeit. Antigamente, você vendia melancias e verduras." O homem concordou que ele estava certo e, de pois de um longo papo com o menino, se convenceu de que estava diante de Abeit renascido. Quando Ismail percebeu que seu pai ia pagar alguns sorvetes que comprara, interferiu dizendo: "Não pague os sorvetes, pai. Ele ainda me deve dinheiro pelas melancias que lhe entreguei." Mehmet, então, confirmou que ele ainda estava em débito com Abeit.

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