domingo, 20 de abril de 2014

Sabedoria de Preto-Velho

Cativeiro. Palavra difícil, essa. Muitas vezes meus filhos julgam que o cativeiro é somente aquele em que os homens, geralmente os brancos, subjugavam negros e a eles impingiam toda sorte de sofrimento, de acordo com o mando do senhor dos escravos. Quanto engano. Há tantas formas de cativeiro… O jugo que o homem impõe sobre o outro, tentando oprimir as consciências, espalhando a infelicidade dentro dos corações. O cativeiro das ideias, quando o ser se faz escravo de certos pensamentos, já ultrapassados, ou mesmo das próprias ideias, que nem sempre dignificam quem está com a razão. Existe a escravidão de um povo, de uma raça, de uma comunidade, de uma família ou de um indivíduo, quando se recusa a seguir o progresso da vida e estaciona no tempo. Mas há também a escravidão daqueles que se julgam sábios, que repetem coisas belas filosofias copiadas de outros e que são incapazes de realizar algo em benefício próprio, como a transformação íntima de suas tendências, seus costumes e ideias, pois se acham escravos de si mesmos.
 Na verdade, o cativeiro da escravidão pode ter passado. No entanto, quem sabe Isabel, a princesa, tenha apenas aberto um caminho para que os homens não mais continuassem cativos de seus modismos, medos, ânsias e angústias; de sua pequenez sem sentido? É preciso que os meus filhos se encarem no espelho. Não naquele espelho no qual costumam olhar­se pela manhã, mas no espelho do eu, na própria alma. Observar se não estão com grilhões atados na mente, na alma ou no coração.
É preciso liberdade. Mas liberdade não é o resultado de um decreto ou de uma assinatura em uma folha de papel. A verdadeira libertação é a da alma, que poderá um dia voar livre como as andorinhas no céu de sua própria vida. Sem grilhões, sem cordas, sem muletas. É preciso voar e voar alto, dentro de si mesmo. Xangô morreu com seu livro de justiça, sentado numa pedra… Quem deve paga, quem merece recebe…



Fonte: Sabedoria de Preto Velho. Médium: Robson Pinheiro por Pai João de Aruanda – Ed. Casa dos Espíritos.

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