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Sacerdócio renumerado _ Preces Pagas



Com todo respeito que devoto a todos seres humanos e respeito as opiniões alheias, apenas não consigo concordar que se tenha sacerdócio renumerado e trabalho espiritual, preces, enfim, renumerar outra pessoa para que esta faça algo que se reverta em bênçãos espirituais a outra. Não concordo, pois não creio que Deus tenha delegado procurações a alguns seres privilegiados, e até onde sei, não existe privilégios a ninguém aqui na terra, em que desse plenos poderes a estas pessoas de comercializar suas benção, curas, enfim, é algo que além de não concordar não consigo entender de onde vem este fundamento.

O apóstolo Paulo de Tarso, em uma de suas cartas, fala sobre sacerdócio renumerado, autorizando que se viva do altar aquele que vive para o altar. Esta é a opinião de Paulo, que respeito, mas não é a minha opinião, que prefiro embasar nos ensinos de Jesus Cristo.
Creio que todo aquele que por livre e espontânea vontade quer se dedicar a uma causa religiosa, pode ter também seu trabalho secular para seu sustento, e se dedicar também a religião, como um exemplo que temos no Brasil, de nosso grande Francisco Cândido Xavier, e também de Zélio F. de Moraes, onde segundo nos consta, nunca ganharam uma moeda como recompensa de seus trabalhos religiosos, se dedicando única e exclusivamente a caridade, como nos disse Jesus, e onde cito um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo:

Preces pagas

 Disse em seguida a seus discípulos, diante de todo o povo que o escutava: -Precatai-vos dos escribas que se exibem a passear com longas túnicas, que gostam de ser saudados nas praças públicas e de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos festins - que, a pretexto de extensas preces, devoram as casas das viúvas. Essas pessoas receberão condenação mais rigorosa. (S. LUCAS, cap. XX, vv. 45 a 47; S. MARCOS, cap. XII, vv. 38 a 40; S. MATEUS, cap. XXIII, v. 14.)

 Disse também Jesus: não façais que vos paguem as vossas preces; não façais como os escribas que, "a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas", isto é, abocanham as fortunas. A prece é ato de caridade, é um arroubo do coração. Cobrar alguém que se dirija a Deus por outrem é transformar-se em intermediário assalariado. A prece, então, fica sendo uma fórmula, cujo comprimento se proporciona à soma que custe. Ora, uma de duas: Deus ou mede ou não mede as suas graças pelo número das palavras. Se estas forem necessárias em grande número, por que dizê-las poucas, ou quase nenhumas, por aquele que não pode pagar? E falta de caridade. Se uma só basta, é inútil dizê-las em excesso. Por que então cobrá-las? É prevaricação.
Deus não vende os benefícios que concede. Como, pois, um que não é, sequer, o distribuidor deles, que não pode garantir a sua obtenção, cobraria um pedido que talvez nenhum resultado produza? Não é possível que Deus subordine um ato de demência, de bondade ou de justiça, que da sua misericórdia se solicite, a uma soma em dinheiro. Do contrário, se a soma não fosse paga, ou fosse insuficiente, a justiça, a bondade e a demência de Deus ficariam em suspenso. A razão, o bom senso e a lógica dizem ser impossível que Deus, a perfeição absoluta, delegue a criaturas imperfeitas o direito de estabelecer preço para a sua justiça. A justiça de Deus é como o Sol: existe para todos, para o pobre como para o rico. Pois que se considera imoral traficar com as graças de um soberano da Terra, poder-se-á ter por lícito o comércio com as do soberano do Universo?
Ainda outro inconveniente apresentam as preces pagas: é que aquele que as compra se julga, as mais das vezes, dispensado de orar ele próprio, porquanto se considera quite, desde que deu o seu dinheiro. Sabe-se que os Espíritos se sentem tocados pelo fervor de quem por eles se interessa. Qual pode ser o fervor daquele que comete a terceiro o encargo de por ele orar, mediante paga? Qual o fervor desse terceiro, quando delega o seu mandato a outro, este a outro e assim por diante? Não será isso reduzir a eficácia da prece ao valor de uma moeda em curso?

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