domingo, 18 de maio de 2014

Trecho do livro "OGUNDANA - O ALABÊ DE JERUSALÉM"

Sou portador de um colar, uma guia que foi por Oxum batizada.
Pertenço à hierarquia dos que vivem em sintonia
Com o raio que Xangô envia rumo ao palácio das águas.
Tenho a guia até hoje, e nela todos os registros.
Desde a saída da aldeia até o encontro com Cristo.
Deitada nas águas do Nilo, ouviu os meus atabaques,
Cruzou o Mediterrâneo,
E no rio de João Batista quando umedecia suas contas,
Uma estrela de seis pontas, vinda dos céus da Judéia,
Uniu sua força à dela e, juntas, estrela e guia,
Buscaram a sabedoria, nas ondas da poesia, das águas do Mar da Galiléia.
Hoje vivo no deserto, longe de qualquer cidade,
Aqui me sinto mais perto das coisas que são mais simples, mais próximas da verdade.
Aqui recebo a saudade como visita importante,
E ela chega elegante com uma rica vestimenta, usando um colar de preciosas pedras.
Que desce pelo seu colo feito uma cachoeira.
Em uma das mãos ela traz um candelabro aceso com sete raios,
Na outra um machado de tronco de oliveira,
Senta-se feito uma esfinge ao lado de minha cama,
Os meus cabelos tinge com rena egipciana,
E com a inocência das virgens, me beija, me abraça, me ama,
Até que eu tenha vertigens e volte às minhas origens,
Onde meu pai dorme ao lado de sua formosa dama.
E assim eu volto prá casa.


Trecho do livro Ogundana – O Alabê de Jerusalém (Altay Veloso)

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