sábado, 12 de julho de 2014

Prodígios dos falsos profetas, preces pagas e sacerdócio renumerado

Tende cuidado para que alguém não vos seduza; - porque muitos virão em meu nome, dizendo: "Eu sou o Cristo", e seduzirão a muitos.
Levantar-se-ão muitos falsos profetas que seduzirão a muitas pessoas; - e porque abundará a iniquidade, a caridade de muitos esfriará. - Mas aquele que perseverar até o fim se salvará.
Então, se alguém vos disser: O Cristo está aqui, ou está ali, não acrediteis absolutamente; -porquanto falsos Cristos e falsos profetas se levantarão que farão grandes prodígios e coisas de espantar, ao ponto de seduzirem, se fosse possível, os próprios escolhidos. (S. MATEUS, cap. XXIV, vv. 4, 5, 11 a 13, 23, e 24; S. MARCOS, cap. XIII, vv. 5, 6, 21 e 22.)


Uma prática que se tornou comum nos nossos dias foi tornar o sacerdócio religioso uma profissão, renumerada(e com salários bem melhores do que a maioria dos trabalhadores), onde é de praxe as práticas de "trabalhos espirituais", realizados a alto valor, por sacerdotes dotados de "poderes especiais", ou os "escolhidos", como se Deus tivesse passado procuração a essas pessoas, dando plenos poderes para vender suas bênçãos, e ainda mais, como se Deus escolhesse apenas algumas pessoas para abençoar, e outras para servirem esses escolhidos, que em troca lhes dão proteção, ou abençoam esses. Se não renumerar o sacerdote para ser abençoado por seus poderes, é inútil esperar uma prece ao menos, sendo largado o infeliz que recorreu ao sacerdote a própria sorte.
Kardec, instruído pelos espíritos superiores nos traz esclarecimentos valiosos a respeito dos sacerdotes, analisando as palavras do divino mestre Jesus, no Evangelho segundo o espiritismo Cap.XXI. Nos diz que:
"Estas palavras dão o verdadeiro sentido do termo prodígio. Na acepção teológica, os prodígios e os milagres são fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza. Sendo estas, exclusivamente, obra de Deus, pode ele, sem dúvida, derrogá-las, se lhe apraz; o simples bom senso, porém, diz que não é possível haja ele dado a seres inferiores e perversos um poder igual ao seu, nem, ainda menos, o direito de desfazer o que ele tenha feito. Semelhante princípio não no pode Jesus ter consagrado. Se, portanto, de acordo com o sentido que se atribui a essas palavras, o Espírito do mal tem o poder de fazer prodígios tais que os próprios escolhidos se deixem enganar, o resultado seria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados de Deus e nada provam, pois que nada distingue os milagres dos santos dos milagres do demônio. Necessário, então, se torna procurar um sentido mais racional para aquelas palavras."

Necessário uma análise cuidadosa das explicações de Kardec no Evangelho Segundo o Espiritismo à respeito das palavras de Jesus nestas passagens da bíblia. Se forem consideradas tais palavras, podemos acender o sinal de alerta em nós com relação a muitos religiosos de hoje, onde o dinheiro tem papel relevante na relação dos sacerdotes com seus fiéis, seja em qualquer religião. Os motivos que me levam a publicar aqui este texto e tecer tais comentários não posso relatar, por motivos de preservação das pessoas envolvidas em tais práticas repugnantes. Infelizmente, muitas pessoas que se dizem letradas e com títulos acadêmicos, não tem a mínima experiência religiosa, nem tampouco estudo de espécie alguma na área, se tornando presas fáceis na mão de tais sacerdotes. Como deixa explícito Kardec no Evangelho segundo o Espiritismo Cap. XXI, item 5:
 "Para o vulgo ignorante, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso; uma vez encontrada a causa, reconhece-se que o fenômeno, por muito extraordinário que pareça, mais não é do que aplicação de urna lei da Natureza. Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que o da Ciência se alarga. Em todos os tempos, homens houve que exploraram, em proveito de suas ambições, de seus interesses e do seu anseio de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de alcançarem o prestígio de um pseudo poder sobre-humano, ou de uma pretendida missão divina."
Prossegue Kardec mais adiante:
 "São esses os falsos Cristos e falsos profetas. A difusão das luzes lhes aniquila o crédito, donde resulta que o número deles diminui à proporção que os homens se esclarecem. O fato de operar o que certas pessoas consideram prodígios não constitui, pois, sinal de uma missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o mais indigno não se acha inibido de possuir, tanto quanto o mais digno. O verdadeiro profeta se reconhece por mais sérios caracteres e exclusivamente morais." (Allan Kardec)

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