quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SACERDÓCIO - QUEM "FEZ" O PRIMEIRO?

 O texto a seguir, é um trecho de uma postagem do site Ouvindo as vozes de Aruanda. Por ser um assunto demais interessante, e dizer respeito a tantos e tantos médiuns e dirigentes de casas e terreiros que conhecemos, o transcrevo aqui, pois além disso, ele expressa nossa opinião sobre o assunto.
Ouvimos muito de nossos mentores e guias espirituais, que dentro da Umbanda, não temos Pai e Mãe de santo, como são entendidos nos Candomblés e cultos de nação. Na Umbanda não temos feituras de Orixás e axés, como nos cultos de nação. Porém, a realidade tem se mostrado outra, pelo menos ao que temos visto e ouvido. Nos chegam relatos os mais variados, mas cada casa tem seu entendimento do que seja fazer Umbanda.
Necessitamos sim, de um orientador, que também cumpre um papel de pai espiritual, mas deixo este assunto para futuras postagens. Segue então o texto:
Agenor Miranda Rocha


A grande pergunta, aliás que sempre era repetida pelo grande Aluwô Agenor Miranda é: QUEM "FEZ" O PRIMEIRO SACERDOTE? Ou seja, em outras palavras, quem iniciou, consagrou, raspou, catulou, coroou o primeiro Baba'lAwô ou Baba'lOrisá?

Não há como responder à isto, obviamente.

As tradições religiosas, assim como tudo que é humano, sofre modificações, adaptações e, principalmente, deturpações (que o diga a Doutrina de Pai Guiné).

Com certeza, o primeiro sacerdote não passou por ritos iniciáticos na esfera material e sim espiritual. Exemplo disto temos na própria Bíblia, onde Deus dita a forma como o Culto à Ele deveria ser feito pelos judeus, como os sacerdotes deveriam se portar, vestir, até mesmo como o Templo deveria ser. Vemos também situações semelhantes no Islamismo e na Fé Bahá'i, apenas para citar alguns.

Esta consideração nos leva a responder outras perguntas que ficaram abertas: quem iniciou Zélio de Moraes, W.W. da Matta e Silva e Benjamin Figueiredo? Coloco nesta pequena lista Carlos Buby e o Sr. João da Silva.

É claro que qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento da história da Umbanda e seus luminares, responderá que Zélio foi iniciado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, Matta e Silva por Pai Guiné, Benjamin Figueiredo pelo Caboclo Mirim e Carlos Buby pelo Caboclo Guaracy. Nenhum destes iminentes umbandistas tiveram iniciador encarnado, portanto, de acordo com alguns beócios de plantão, não possuem "origem", "linhagem", "reconhecimento"?

O engraçado que tal falácia vem sempre de pessoas ligadas à Rivas Neto, portanto netos-de-santé de Matta e Silva que, repito, não teve iniciador humano. Sendo assim, pela lógica destes falaciosos, Mestre Yapacani não teve "origem" e nem "linhagem", portanto eles também não. Simples, não é?

Mas, infelizmente, são estúpidos demais para pensar nisto ou, como sempre fazem, as suas "regras" se aplicam somente aos outros (em especial aos desafetos) nunca a eles mesmos.

O próprio Pai da Matta, em sua obra "Doutrina Secreta de Umbanda", nos ensina:

(...) Bem sabemos que são inumeráveis os desiludidos por via desses fatores reais. Sabemos que se contam ás centenas os simpatizantes, adeptos e mesmo iniciados inconformados e muitos até envolvidos pela sombra da descrença, dado que confundiram, misturaram o que era do humano médium como o que pensaram ser do próprio Guia ou Protetor. Conceitos errôneos adquiridos por força de tantos impactos, de tantos fracassos e de tantas desilusões... humanas, é claro.(...)

Por estas e por outras, oh! irmão, não é que Você vai deixar de se filiar diretamente à Sagrada Corrente Astral de Umbanda, composta essencialmente dos Guias e Protetores astrais; passe por cima dessa subfiliação que implica em Você se deixar cair, ou envolver, na faixa vibratória de um médium qualquer, quer seja chefe-de-terreiro, pai ou mãe de santo, tata ou lá o que for.

Prossegue o saudoso Mestre:

Isso porque as condições reinantes de chefia, doutrina, ritual e magia são dúbias, e Você sendo uma pessoa que lê, estuda, perquire e compara, na certa não vai, nem deve, submeter-se a um "quiumba" qualquer, arvorado a caboclo ou preto-velho...

Você, sendo um verdadeiro "Filho de Fé" da Corrente Astral de Umbanda, não deve ficar na dependência e no temor dos "caprichos de A ou B", sabendo que o elemento mediúnico é humano, é "aparelho" sujeito a desgaste, erro, subversão de sua própria mediunidade ou dom...E mesmo que o médium seja bom, positivo, correto, esclarecido com bons Guias e Protetores, está sujeito a morrer, adoecer e a errar também, podendo inclusive surgir um problema qualquer no terreiro com Você e conseqüentemente afastamento; portanto, a filiação direta e tão somente a faixa espíritica, moral e vibratória de um "chefe de terreiro", não é o bastante para lhe acobertar de eventuais problemas ou decaídas mediúnicas, cisões, etc...(...)

Então não convém a ninguém (adepto ou iniciado) ficar sujeito a essas eventualidade ou condições, mesmo que o médium seja da linha reta, em tudo por tudo. Não mantenha ilusões... estamos dando um recado, que vem muito de cima e na de baixo...

O que lhe convém é se pôr a coberto de qualquer uma dessas eventualidade, se filiando por cima de tudo isso e diretamente à Corrente Astral de Umbanda - a Cúpula Astral, composta dos Guias Espirituais, que são os seus legítimos mentores... e esses jamais subverterão essa cobertura, essa proteção, porque não são humanos, não são médiuns etc...

Acredito que Pai da Matta disse tudo, não é mesmo?

Certamente o arguto leitor estará se perguntando: quem afinal é o Sr. João da Silva?

Foi um médium que conheceu a Umbanda aos dezessete anos de idade e manteve sua Casa de culto aberta por mais de sessenta anos em Belo Horizonte. Tinha a cobertura espiritual de Pai Domingos da Cruz, do Caboclo Sr. Sete Montanhas e do Exu Sr. Sete Matas.

Nunca teve iniciador humano, jamais escreveu um livro sequer (mesmo porque era praticamente um analfabeto funcional), não aceitava que o chamassem de "Pai", "Pai-de-Santo", "Babalorixá", ou seja lá qual título fosse, sendo tratado carinhosamente, até sua morte, como "Tio João".

Tive o prazer e a honra de ser o "Pai Pequeno" (por falta de termo melhor) da pequena "Casa Espirita de Umbanda Pai Domingos da Cruz", onde aprendi muito com aquele que para alguns seria "sem origem" e, com certeza, em a sua simplicidade e verdadeira humildade, nos presenteava com profundas lições sobre a Umbanda e o Mundo Espiritual.

Como o finado e saudoso Tio João, aquele anônimo trabalhador da Seara Umbandista em Belo Horizonte, temos outros milhares, que receberam suas "Ordens e Direitos" do Mundo Espiritual, que os amparou e ampara em suas jornadas mediúnicas.

Portanto, não há de se preocupar, caro leitor e Irmão-na-Fé, com títulos e reconhecimento de ninguém. Apenas faça o seu trabalho e deixe a "gíra girá".

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