domingo, 7 de abril de 2019

Carta de uma casa de Umbanda a seus filhos

fanatismo
substantivo masculino
  1. 1.
    zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância.
  2. 2.
    Faccionismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão.

Começo esta carta tendo solicitado ao escrevente a definição da palavra "FANATISMO" como palavras iniciais, para que fique claro que não se trata de adoração ao templo, mas sim de respeito a "Casa do Caminho" que te acolheu. 
Sim, casa que te achou ou você a achou pelo caminho desta encarnação que hoje trilhas. Casa do Caminho porque era assim que se denominavam, os primeiros agrupamentos do cristianismo primitivo, aquele de onde a Umbanda bebeu os ensinamentos crísticos que hoje vivencia e ensina dentro dos templos de Umbanda sérios que existem por este país, através destes Guias, Mentores e Protetores que se manifestam em seus médiuns; a pátria do evangelho, terra escolhida pelo mestre deste planeta, o Cristo Jesus, para que floresça sua doutrina.
A doutrina que colhestes e colhe dentro da Casa, sempre foi límpida e clara, nunca te foi passada com mácula e as sujeiras da vil moeda que corre dentro das casas onde vivem os "vendilhões do Templo". Sempre te foi dado sem nada te pedir em troca, a caridade sempre foi o lema da casa, o amor ao próximo, a ajuda desinteressada, a dedicação a uma causa maior, o estudo e o trabalho como lema de todo dia.
Quantos já foram acolhidos por esta "Casa do Caminho", e hoje nem ao menos lembram que nos momentos que atravessariam as piores tempestades de sua jornada estavam amparados por ela. 
Se sentiram mais fortes, e então a desdenharam. Cresceram com os seus ensinamentos, e depois espalharam que a sua doutrina é falsa, que não merece crédito.
Caminham amparados, tem seus caminhos abertos pelos mesmos Guardiões que os receberam; mas tem seus egos inflamados, o orgulho e o egoísmo os cega, espalhando o fel que destilam. 
São os primeiros a reclamarem atenção, estão sempre prontos e ávidos a crítica destrutiva, pois toda crítica, desde que construtiva e de apoio sempre é bem vinda pela Casa.
Estes são aqueles que contribuem ao lado de todos aqueles que tentaram derrubar a casa desde o seu gérmen, aquele grãozinho que foi plantado no coração dos médiuns, com tanto esforço e zelo de nossa parte, esforço para que não desistissem, para que as adversidades impostas pelo mundo não deixassem que a obra já começasse morta. Não, não conseguiram e prosperamos, malgrado de todos os adversários. Nunca faltou o amparo de nosso lado, até quando tudo parecia que iria se arruinar, onde os traidores amparados pelas sombras se reuniram e ganharam força, a Casa e todos aqueles que não desistiram de ficar ao seu lado foram sustentados.
A Casa está de pé, acolhendo, aconselhando, levando alento e alívio, se não as vezes até a cura. Ah, a cura, mas aqueles que tentamos usar como veículos não se deixam usar, pois seu ego é tão inflamado que não conseguem doar nem ao menos seus fluídos, que chegam a ser mais doentes do que os próprios carentes que chegam a Casa.
Mas existem aqueles que ao exemplo do divino mestre, são como os Doze Apóstolos da Casa. Doaram seu sangue e seu suor por ela. Sempre entenderam que a Casa existe porque eles existem, são eles os que tem o maior prestígio e recompensa, suas almas tem o brilho e a pureza que muitos invejam, e sabem que hoje não são eles mais que vivem, a marca das divindades Orixás habita em seus Oris, e a palavra do mestre é sua bússola a guiar seu coração. Pulsa em suas veias o axé da alegria e do sorriso nos lábios que só aqueles que entenderam o que significa a palavra INICIADO consegue carregar. Seus tesouros estão muito bem guardados onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam para roubar.
Encerro saudando a divindade amparadora desta Casa, o Orixá Xangô, que  tem suas doze estirpes, e também seus doze ministros. A Casa tem seus doze pilares, e eles sabem que o são, seus nomes não precisam ser colocados em evidência. Xangô é pai da nobreza, e não é a toa que seu sincretismo tem um santo com as tábuas da lei em suas mãos. Xangô nos lembra que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.



Nenhum comentário: